charge
Texto persuasivo
Porte ilegal de arma de fogo de uso restrito - É crime inafiançável portar, deter, adquirir, fornecer, ter em depósito, transportar, ceder, emprestar, remeter, ocultar, manter arma de fogo, acessório ou munição sem autorização ou em desacordo com a lei. Pena de 3 a 6 anos.
Controle – As munições comercializadas no país deverão estar em embalagens com sistema de código de barras para identificar o fabricante e adquirente, entre outras informações. As armas de fogo fabricadas a partir de 23 de dezembro de 2004, terão de conter dispositivo de segurança e de identificação, gravado no corpo da arma.
Armas, acessórios ou munições apreendidas – A não ser que sejam prova em inquérito policial ou criminal deverão ser encaminhadas ao Comando do Exército para destruição no prazo de 48 horas.
Brinquedos – São vedadas a fabricação, a venda, a comercialização e a importação de brinquedos, réplicas ou simulacros de armas de fogo que com essas possam ser confundidas.
Multas – R$ 100 mil a R$ 300 mil para quem facilite ou permita o transporte de arma de fogo. E quem faça publicidade para venda, estimulando o uso indiscriminado de armas de fogo.
Referendo – Em 2005, o referendo popular irá se pronunciar sobre a proibição à venda de armas de fogo e munições no Brasil.
O que diz o decreto
Integração dos dados – Os dados do Sistema Nacional de Armas (Sinarm) e do Sistema de Gerenciamento Militar de Armas (Sigma) deverão ser interligados e compartilhados no prazo máximo de 1 ano.
Sinarm – deverão ser cadastradas no Sinarm: as armas de fogo institucionais, constantes de registros próprios; da Polícia Federal; da Polícia Rodoviária Federal; das Polícias Civis; Polícias Militares, do Corpo de Bombeiros; dos órgãos policiais da Câmara dos Deputados e do Senado Federal; dos integrantes do quadro efetivo dos agentes e guardas prisionais; dos integrantes das escoltas de presos e das Guardas Portuárias; das Guardas Municipais; dos órgãos públicos não mencionados nas alíneas anteriores, cujos servidores tenham autorização legal para portar arma de fogo em serviço, em razão das atividades que desempenhem; as armas de fogo apreendidas, que não constem dos cadastros do Sinarm ou Sigma, inclusive as vinculadas a procedimentos policiais e judiciais, mediante comunicação das autoridades competentes à Polícia Federal; as armas de fogo adquiridas pelo cidadão; as armas de fogo das empresas de segurança privada e de transporte de valores;
Sigma – deverão ser cadastradas no Sigma as armas de fogo institucionais, de porte e portáteis, constantes de registros próprios das Forças Armadas; das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares; da Agência Brasileira de Inteligência; e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República; as armas de fogo dos integrantes das Forças Armadas, da Agência Brasileira de Inteligência e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, constantes de registros próprios; as informações relativas às exportações de armas de fogo, munições e demais produtos controlados, devendo o Comando do Exército manter sua atualização; as armas de fogo importadas ou adquiridas no país para fins de testes e avaliação técnica; as armas de fogo obsoletas. Serão registradas no Comando do Exército e cadastradas no Sigma as armas de fogo de colecionadores, atiradores e caçadores; e as armas de fogo das representações diplomáticas. Entende-se por registros próprios, para os fins deste Decreto, os feitos pelas instituições, órgãos e corporações em documentos oficiais de caráter permanente.
Aquisição e registro de uso permitido – o interessado deverá declarar efetiva necessidade, ter no mínimo 25 anos, apresentar cópia autenticada da carteira de identidade; entre outros documentos como residência fixa, ocupação lícita, etc.
Comércio – é proibida a venda de armas de fogo, munições e produtos de uso restrito. As vendas de arma de fogo de uso permitido têm de ser comunicadas mensalmente ao Sinarm, bem como o estoque.
Porte e trânsito – o porte das armas de uso permitido será expedido pela PF, é intransferível e revogável a qualquer tempo. Quem tiver o porte não poderá conduzi-la ostensivamente ou com ela entrar em locais públicos tais como igrejas, escolas, clubes ou outros locais onde haja aglomeração de pessoas. O caçador de subsistência poderá ter uma arma portátil, de uso permitido, de tiro simples, com um ou dois canos e calibre igual ou inferior a 16. O proprietário de arma de fogo de uso permitido deverá solicitar à PF a expedição de porte de trânsito.
O Ministro da Justiça designará as autoridades policiais competentes, no âmbito da Polícia Federal, para autorizar a aquisição e conceder o Porte de Arma de Fogo, que terá validade máxima de cinco anos.
Comando do Exército - A classificação legal, técnica e geral e a definição das armas de fogo e demais produtos controlados, de uso restrito ou permitido são as constantes do Regulamento para a Fiscalização de Produtos Controlados e sua legislação complementar. Compete ao Comando do Exército promover a alteração do Regulamento com o fim de adequá-lo aos termos deste Decreto.
Compete, ainda, ao Comando do Exército: autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de armas, munições e demais produtos controlados, em todo o território nacional; estabelecer as dotações em armamento e munição e estabelecer normas. O Comando do Exército deverá definir os dispositivos de segurança e identificação previstos no Estatuto do Desarmamento em 180 dias.
http://www.mj.gov.br/seguranca/briefing_desarmamento.htm
Comentário:
A campanha do desararmamento foi feita para diminuir a mortalidade no Brasil por armas de fogo, induzindo portadores de armas a entregarem ao governo por um certo valor.
Texto Persuasivo
CAMPANHA DO DESARMAMENTO
A Campanha do Desarmamento é um marco na história do Brasil no que se refere ao combate à violência e à instituição de uma cultura de paz no país. Em quatro meses, a população já entregou mais de 183 mil armas de fogo à destruição. Esse engajamento da sociedade é uma resposta ao apelo do governo para a construção de um país mais seguro. Desde que o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, iniciou a Caravana do Desarmamento, no dia 7 de outubro, o fôlego da campanha cresceu e se interiorizou. Comitês estaduais de apoio têm sido criados e envolvido autoridades, igrejas e organizações não-governamentais.
BALANÇO
Até o dia 29 de novembro, a Polícia Federal havia recebido 183.159 armas de fogo em todo o país. Esse número não contabiliza as armas entregues no Comando do Exército e nas polícias estaduais. Nesse contexto, estima-se que o número total de armas entregues seja ainda maior.
METAS
A entrega das armas de fogo começou no dia 15 de julho. Nesse dia foi publicado o Decreto que regulamenta o Estatuto. A expectativa inicial de recolher 80 mil armas foi superada no início de setembro. Hoje, espera-se que esse número ultrapasse 200 mil armas até 23 de dezembro. Para tanto, o governo editou (em 28 de setembro) MP liberando crédito suplementar de R$ 20 milhões. Somados aos R$ 10 milhões iniciais, os recursos destinados ao pagamento das indenizações totalizam R$ 30 milhões. Devido ao sucesso da campanha, o Ministro Márcio Thomaz Bastos vai propor ao Presidente Lula a prorrogação por mais seis meses da entrega voluntária de armas.
PRÊMIO
A Campanha do Desarmamento recebeu o Prêmio Unesco 2004 pela Campanha do Desarmamento, na categoria Direitos Humanos e Cultura da Paz. A Unesco considerou a campanha uma das melhores estratégias de promoção da paz já desenvolvidas na história do Brasil.
CONTROLE DE ARMAS
A partir da edição do Estatuto do Desarmamento, o controle de armas no Brasil tornou a posse e especialmente o porte de armas mais restrito. O porte será outorgado aos policiais, militares, responsáveis pela segurança e casos funcionais previstos em legislação específica. O porte de armas tornou-se em regra proibido. A posse, em sua residência ou local de trabalho, exige teste psicotécnico, ter mais de 25 anos e principalmente declarar para que necessita ter uma arma.
Ressalta-se que a nova lei acabou com os portes e registros estaduais. Hoje somente a Polícia Federal concede o registro e o porte de armas.
PAGAMENTO DE INDENIZAÇÕES
A Polícia Federal editou portaria em setembro na qual autoriza o pagamento das indenizações via Ordem Bancária e também via lista de credor (não mais pagamento individual no SIAFI), com o objetivo de agilizar as indenizações. O governo já pagou mais de R$ 18 milhões em indenizações.
CAMPANHA PUBLICITÁRIA
O Governo Federal lançou a campanha publicitária sobre o desarmamento no dia 2 de setembro. Os artistas brasileiros Netinho e Eliane Giardini gravaram depoimentos de forma voluntária. Outra iniciativa de divulgação é do projeto Criança Esperança, que durante o mês de outubro, mês das crianças, trabalhou a temática em quatro estados: SP, RJ, MG e PE.
CARAVANAS DO DESARMAMENTO
O ministro da Justiça começou a Caravana do Desarmamento no dia 7 de outubro, pela região Sul e a encerrou no dia 30 de novembro no Rio de Janeiro.
O objetivo da Caravana foi conseguir a adesão de todos os Estados à campanha. Isso é muito importante, uma vez que as polícias estaduais poderão receber armas e expandir os postos de recolhimento para o interior do país. Além disso, o ministro levará representantes da sociedade civil e de organizações religiosas para que sejam formados, em parceria com os governos estadual e federal, núcleos estaduais de desarmamento. O objetivo é ampliar a participação da sociedade, o número de postos de recolhimento e esclarecer a população para a importância desta ação nacional.
Na reunião com os governadores, autoridades locais e entidades, Thomaz Bastos propôs a criação do Comitê de Apoio à Campanha do Desarmamento, representado pela sociedade civil, governo do estado e das polícias estaduais e da Federal.
0800-729-0038
O serviço 0800 contabiliza mais de 100 mil ligações. A maioria das pessoas quer saber como pode se engajar na campanha e pede mais postos de arrecadação de armas, principalmente no interior do país. Crianças e adolescentes também engrossam o coro e começam a promover entregas de armas de brinquedos nas escolas.
Principais pontos do Estatuto do Desarmamento
O que diz o estatuto:
Sinarm – Sistema Nacional de Armas (Sinarm) fica no âmbito da Polícia Federal. Sua responsabilidade é cadastrar as armas produzidas, importadas e vendidas no país, cadastrar as autorizações de porte e renovações, além de todas as alterações como extravio, transferências, apreensões, etc... Também tem de integrar as informações policiais já existentes.
Registro – É obrigatório. As de uso restrito são registradas no Comando do Exército. O certificado de registro será expedido pela Polícia Federal, renovados a cada três anos, e seu proprietário poderá manter a arma de fogo exclusivamente no interior de sua residência.
Aquisição – Só podem adquirir quem tiver no mínimo 25 anos. Depois de declarar efetiva necessidade, o interessado deve comprovar idoneidade por meio de certidão de antecedentes criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral; residência fixa; provar ocupação lícita; capacidade técnica e de aptidão psicológica. Também não podem estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal.
Comércio – a comercialização tem de ser comunicada às autoridades competentes (Polícia Federal ou Exército, para o caso de armas de uso restrito).
Porte – É proibido em todo o território nacional. A exceção: policiais, guardas municipais, integrantes das Forças Armadas, funcionários de empresas de segurança e transporte de valores, desportistas de tiro; pessoas que demonstrarem sua efetiva necessidade por exercício de atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física e caçadores. A autorização de porte perderá automaticamente sua eficácia caso o portador seja detido ou abordado em estado de embriaguez ou sob efeito de substâncias químicas ou alucinógenas.
Crimes e Penas:
Posse irregular de arma de fogo de uso permitido – Quando a arma, acessório ou munição está sob a guarda, no interior da residência ou dependência desta, ou no seu local de trabalho. Pena é de 1 a 3 anos de detenção e multa.
de no Brasil por armas de fogo, induzindo portadores de armas a entregarem ao governo por um certo valor.
Cartaz
Charges
Musica
Jesus Chorou
Racionais Mc's
Composição: Racionais Mc's
O que é o que é??
Clara e salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada...tem sabor de mar,pode ser discreta, inquilina da dor, morada predileta....na calada ela vem, refém da vingança, irmã do desespero, rival da esperança... pode ser causada por vermes e mundanas...e o espinho da flor, cruel que vc ama, amante do drama, vem pra minha cama, por querer, sem me perguntar me fez sofrer...e eu que me julguei forte...e eu que me senti...serei um fraco, qdo outras delas vir..se o barato é louco e o processo é lento...no momento...deixa eu caminhar contra o vento...o que adianta eu ser durão e o coração ser vulnerável...o vento não, ele é suave, mas é frio e implacável....(é quente) borrou a letra triste do poeta(só) .....correu no rosto pardo do profeta...verme sai da reta...a lágrima de um homem vai cair...esse é o seu B.O. pra eternidade...quem diz que homem não chora...ta bom, falou...não vai pra grupo irmão ai .... JESUS CHOROU ! ! !
Porra vagabundo óh, vou te falar, tô chapando...eita mundo bom de acabar....o que fazer quando a fortaleza tremer...e quase tudo ao seu redor, melhor, se corromper...(epa peralá, muita calma ladrão, cadê o espírito imortal do Capão?? lave o rosto nas águas sagradas da pia, nada como um dia após o outro dia...sou eu seu lado direito, tá abalado por que veio, nego, é desse jeito)...Durmo mal, sonho quase a noite inteira, acordo tenso,tonto e com olheira na mente sensação de mágoa e rancor...uma fita me abalou na noite anterior...Alô!! (Ae dorme em doidão,mil fita acontecendo e cê ai)...que horas são?? (meio dia e vinte ó a fita é o seguinte ó, ñ éisqueirando não ó,fita de mil grau, ontem eu tava ali de CB, no peão, com um truta firmezão, cê tem que conhecer, se vc liga ele vai saber derepente, ele fazia até um Rap num passado recente ...(uhum)...vai vendo afita, se naum acredita, quando tem que se é Jão (hã) presta atenção,vai vendo...parei pra fumar um de remédio com uns muleque lá e pá, trafica nos prédios...um que chegou depois, pediu pra dar uns 2...qual, um patrício ó, novão e os caráio...fumaça vai, fumaça vem ele chapou o côco, se abriu que nem uma flor, ficou louco...tava eu mais dois truta e uma mina num tempra prata show filmado ouvindo Guina...o bico se atacou ó, falou uma pá do cê)...tipo o que??(Esse Brown aí é cheio de querer ser, deixa ele moscar e cantar na quebrada, vamo ver se é isso mêmo quando ver as quadrada,periferia nada, só pensa nele mesmo, montado no dinheiro e ceis aí no veneno...e a cara dele truta?? cada um no seu corre, tudo pelas verde, uns mata, outros morrem...eu mesmo se eu catar voa numa hora dessa, vou me destacar do
outro lado de pressa, vou comprar uma house de boy depois alugo,vão me chamar de senhor...não por vulgo... mas pra ele só a zona sul que é a pa... diz que ele tira nós, nossa cara é cobrar...o que ele quiser nós quer, vem que tem, pq eu naum pago pau praninguém...E eu?? só registrei né, merda de lá os mano tudo só ouviu, ninguém falou um A)...Quem tem boca fala o que quer pra ter nome, pra ganhar atenção das muié e/ou dos homens...amo minha raça, luto pela cor, o que quer que eu faça é por nós, por amor,naum entende o que eu sou, não entende o que eu faço, não entende a dor e as lágrimas do palhaço...mundo em decomposição por um triz, transforma um irmão meu num verme infeliz...e a minha mãe diz: Paulo acorda, pensa no futuro que isso é ilusão, os proprio preto não tá nem ai com isso não, olha o tanto que eu sofri, que eu sou, o que eu fui, a inveja mata um, tem muita gente ruim...Pô mãe não fala assim que eu nem durmo, meu amor pela senhora já não cabe em Saturno, dinheiro é bom, quero sim se essa é a pergunta, mas dona Ana fez de mim um homem e não uma puta!...ei você, seja lá quem for, pra semente eu não vim, então,sem terror ...inimigo invisível, Judas incolor, perseguido eu já nasci, demorou...apenas por 30 moedas o irmão corrompeu, atire a primeira pedra quem tem rastro meu...cadê meu sorriso?? onde tá??é, quem roubou?? ...humanidade é má, e até JesusChorou...Lágrimas...Lágrimas...Jesus Chorou....vermelho e azul,hotel, pisca só luz, nos escuros do céu...Chuva cai lá fora eaumenta o ritmo, sozinho eu sou agora o meu inimigo intimo...lembranças más vem, pensamentos bons vai...me ajude,sozinho penso merda pra caráio...gente que acredito, gosto e admiro, brigava por justiça e paz levou tiro: Malcon X,Ghandi, Lennon, Marvin Gaey, Che Guevara, 2Pac, Bob Marley e o evangélico Martin
Luther King...lembrei de um truta falar assim: naum joga pérolas ao porco irmão, jogue lavagem eles preferem assim, se tem de usar piolhagem?? Cristo que morreu por milhões, mas só andou com apenas 12 e um fraquejou...periferia...focos vazios e sem ética lotam os malotes rumo a cadeira elétrica...eu sei vc sabe o que é frustação...máquina de fazer vilão...eu penso mil fita, vou enlouquecer...e o piolho diz assim qdo me vê: (famoso pra karáio,durão, ih truta...faz seu mundo não Jão,hã, a vida é curta...só modelo por ai dando boi, põe elas pra chupar e manda andar depois...rasgar as madrugadas só de mil e cem..se sou eu truta hã, tem pra ninguém...Zé Povinho é o Cão,tem esses defeitos,o que cê tendo ou naum cresce os zóio de qualquer jeito...cruzar se arrebentar, de repentemente vai, de ponto quarenta, se querer tá no pente)...se só de pensar em matar já matou, prefiro ouvir o pastor:
Filho meu,não inveje o homem violento e nem siga nenhum dos seus caminhos...
Lágrimas...molha a medalha de um vencedor...
chora agora ri depois, ae, Jesus Chorou...Lágrimas...
Entrevista
Entrevista
Superar a violência, construindo a paz
Marcos Arruda,
sócio-economista no Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul, PACS, no Rio de Janeiro.
Endereço eletrônico: pacs@pacs.org.br
Mundo Jovem: Como podemos analisar este mundo bélico em que vivemos?
Marcos: Vamos primeiro examinar como o mundo atual, através de guerras, disputas de todo o tipo se manifesta hoje. A invasão do Iraque é a coisa mais visível e mais recente. Ela foi antecedida por tantas outras guerras.
O filme sobre a Escola das Américas mostra a instrução de soldados latino-americanos para levar uma guerra contra os seus povos. Uma guerra em nome da paz, em nome da estabilidade. Mas da paz de quem? Em benefício de quem, se era contra os povos?
E a gente vê que são as elites, as grandes empresas, os bancos estrangeiros os que se beneficiam desta “paz” das armas, a paz da repressão, da violência, dos assassinatos, dos massacres realizados pelas Forças Armadas dos nossos países contra os nossos povos, instruídos pelo Exército dos Estados Unidos. Hoje, a disputa tem se dado em torno do controle de recursos cada vez mais escassos.
A guerra do Iraque tem duas conexões: uma, que é o petróleo, e outra que é a água escassa do Oriente Médio, e cada vez mais escassa no mundo. Os pretextos de tirar o Saddam, de lutar contra o terrorismo não eram mais do que cosméticos. O fundo da história é a disputa pelo controle de recursos e pela apropriação por um outro país dos recursos de um outro povo, completamente injusto, ilegal e ilegítimo.
Mundo Jovem: Por onde nós podemos começar a construir uma cultura da paz?
Marcos: O nosso trabalho de reconstrução da humanidade, de afirmação de que um outro mundo é possível, porque um outro ser humano é possível, leva a idéia de que a economia e as relações econômicas é que estão na base do mundo bélico, de guerra, de egoísmo, de disputas, de apropriação, de privatização, de opressão e de exclusão que predomina hoje.
E que o único jeito de a gente começar um outro caminho é construir uma outra economia, que nós temos chamado de economia solidária. Uma economia baseada na consciência da nossa interligação uns com os outros, e na vontade consciente de fazer as escolhas no sentido da cooperação, do apoio mútuo, da complementaridade do que nós fazemos e da solidariedade consciente.
Isso, eu acredito, é a semente primeira de uma cultura da paz e não mais da guerra, uma cultura da cooperação e não mais da competição, uma cultura da partilha e não mais da apropriação privada, uma cultura da amorosidade, e não mais do ódio, da disputa individual e da guerra.
Mundo Jovem: E, para começar, quais são as dicas? Como começar a mudança de mentalidade?
Marcos: O começo está em vários lugares ao mesmo tempo. Há um começo fundamental que é o começo de cada um. A mudança que nós precisamos não é só exterior. Mudemos o governo, mudemos a instituição. Vamos criar novas leis. Nada disso é suficiente, embora seja importante.
O que é suficiente será introduzir mudanças institucionais e estruturais, com pessoas que têm novos valores, atitudes, comportamentos, modos de relação. Isso significa que nós, pessoas, somos arena de luta pela transformação. Ou ela começa dentro de nós, ou ela não vai transbordar para fora.
Isso, em palavras concretíssimas, significa: cada dia da nossa vida nós temos uma grande quantidade de escolhas para fazer em cada uma das nossas relações, conosco mesmos, com cada outra pessoa, com a sociedade, com o nosso trabalho, a nossa escola, a nossa universidade, com o governo, as decisões que ele está tomando ou deixando de tomar. Todo esse conjunto de relações tem que sair da gente. A escolha que a gente vai fazer de colocar a nossa atenção, a nossa vontade, a nossa energia, em cada uma delas.
O grande objetivo da economia solidária não é ela própria. É ela ser meio para impulsionar o desenvolvimento de cada pessoa, comunidade ou povo. O desenvolvimento dos potenciais que cada pessoa e povo carrega: esse é o grande objetivo e é o objetivo em movimento, em processo, que não tem fim.
Agora, a pergunta-chave é: se o desenvolvimento é dos potenciais que cada um traz, quem é o sujeito desse desenvolvimento? E a resposta é: só pode ser cada um que detém aqueles potenciais. E isso aí é uma afirmação de política diferente. Isso é a democracia. A democracia é que cada pessoa, comunidade e povo se empodere, crie poder a partir de dentro de si, para se tornar o sujeito do seu próprio desenvolvimento.
Esse é o grande objetivo. Tudo o mais, atividade econômica, trocas, vendas, compras, comer, se alimentar, se vestir, morar, tudo isso é meio para desenvolver as dimensões superiores do ser humano que são a ética, a estética, a beleza, o prazer, a comunicação, a amorosidade, os sentidos superiores imateriais do ser humano, baseados nesse corpo material que nós temos, que também tem que ser bem gerido.
Então se trata de um desafio de autogestão, que cada pessoa se torne gestora da sua própria saúde, do seu próprio equilíbrio, entre o físico, mental, psíquico e espiritual e cada pessoa passe a ser gestora também da sua família, do seu bairro, de todos aqueles espaços que são casas onde ela habita. Isso é economia. A gestão e o cuidado das várias casas onde nós moramos.
Mundo Jovem: Você tem esperança de uma sociedade fraterna e de uma cultura de paz?
Marcos: Eu só não posso dizer certeza porque a humanidade também é muito atrasada. Nossa etapa evolutiva ainda é pré-histórica e é possível que, através dessa economia do capital, da ganância, da sede de possuir sempre mais, que é uma economia da destruição da natureza, que a gente chegue a destruir o próprio ambiente que nos dá a vida, a própria Terra e a própria vida na Terra.
Mas a minha esperança e quase convicção é de que nós, e o lado bom e saudável do nosso interior... cada pessoa, deseja muito mais, deseja uma coisa diferente. Nós sabemos que não é comprar, comprar, consumir, consumir, que dá felicidade. É se comunicar, se integrar, ser amado, ser querido, criar comunidade, partilhar em comunidade, sentir o outro feliz, fazer a felicidade do outro e o outro buscar a tua felicidade e juntos a gente cria uma felicidade muito maior.
É a partir desta convicção de que nós queremos muito mais, e que nós somos seres reais querendo muito mais, que nós podemos fazer esse muito mais. E o mundo, por isso, pode mudar, ser diferente. E não é amanhã, não. Já está sendo em cada escolha solidária que a gente faz aqui e agora, em cada ato de uma economia solidária, em cada momento de partilha que a gente decide fazer na nossa vida. Aí já está nascendo um novo mundo, uma nova humanidade.
http://www.mundojovem.pucrs.br/entrevista-02-2005.php
Notícia
Notícia
Mutirão ajuda a conservar prédios de colégios públicos
Integrantes da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, trocaram o descanso por trabalhogratuito de conservação e restauração em 14 escolas públicas. Do ínicio da manhã ao final da tarde, os voluntários pintaram paredes, consertaram classes, limparam salas, e varreram pátios, entre outros serviços.
A iniciativa faz parte do projeto “Mãos que Ajudam”, desenvolvido pela constituição religiosa 2000.
O projeto “Mãos que Ajudam” existe há cinco anos, mobilizando voluntários da igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em várias ações comunitárias. No estado ja foram realizadas atividades como recolhimento de alimentos e visita a asilos.
Zero Hora
Reportagem
Reportagem
De um ano para cá, Nadir Chaves Oliveira, assistente pedagógica da Escola Classe 18, do Distrito Federal, percebeu que os problemas de agressões entre os 1180 alunos do Ensino Infantil e Fundamental estavam se agravando. Diferenças físicas, como a obesidade ou a cor da pele, eram os principais motivadores das brigas. Nadir convocou os professores para uma ação educativa. Sua idéia era usar o formato do programa de televisão Você Decide e criar uma peça interativa encenada pelos professores. Os alunos escolheriam o final.
A personagem principal era uma aluna que encarnava diversos problemas: racista, preconceituosa e briguenta. "Num primeiro momento, os alunos queriam que ela fosse expulsa", relata Isabel Cristina, diretora da escola, "mas decidimos empurrar a decisão para a semana seguinte". O plano era aproveitar os dias entre a peça e a escolha, feita por voto secreto, para os professores trabalharem a idéia da oportunidade que todos tinham de se reabilitar. Aberta a urna, o trabalho revelou-se bem-sucedido. A decisão dos alunos foi de que a aluna deveria ter uma nova chance.
Outra atitude para enfrentar a violência foi a criação dos Pelotões da Paz, recrutados entre os alunos mais velhos. Vestindo jalecos vermelhos, eles enturmam quem está sozinho, evitam brigas e conscientizam os sujões da necessidade de se manter a escola limpa, até que soe o sinal. Que, aliás, é música, em vez de alarme. "As ocorrências diminuíram drasticamente. Inclusive o ambiente dentro das salas melhorou, segundo os professores", revela a orientadora Nadir.
http://novaescola.abril.com.br/ed/125_set99/html/repcapa9.htm
Comentario:
A notícia trata da violência e o preconceito sofrido numa escola , em que a cordenadora resolveu solucionar o problema , onde descobriu que havia uma aluna em que era briguenta racista etc., entao apos criar uma peça enterativa o comportamento dos alunos mudou.
Poesia
O Passado
O salão da frente recende a cravo.
Um grupo de gente moça
se reúne ali.
"Clube Literário Goiano".
Rosa Godinho.
Luzia de Oliveira.
Leodegária de Jesus,
a presidência.
Nós, gente menor,
sentadas, convencidas, formais.
Respondendo à chamada.
Ouvindo atentas a leitura da ata.
Pedindo a palavra.
Levantando idéias geniais.
Encerrada a sessão com seriedade,
passávamos à tertúlia.
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim.
Músicas antigas. Recitativos.
Declamavam-se monólogos.
Dialogávamos em rimas e risos.
D. Virgínia. Benjamim.
Rodolfo. Ludugero.
Veros anfitriões.
Sangrias. Doces. Licor de rosa.
Distinção. Agrado.
O Passado...
Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?...
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do passado.
CORA CORALINA
http://usuarios.cultura.com.br/migliari/
O Passado
O salão da frente recende a cravo.
Um grupo de gente moça
se reúne ali.
"Clube Literário Goiano".
Rosa Godinho.
Luzia de Oliveira.
Leodegária de Jesus,
a presidência.
Nós, gente menor,
sentadas, convencidas, formais.
Respondendo à chamada.
Ouvindo atentas a leitura da ata.
Pedindo a palavra.
Levantando idéias geniais.
Encerrada a sessão com seriedade,
passávamos à tertúlia.
O velho harmônio, uma flauta, um bandolim.
Músicas antigas. Recitativos.
Declamavam-se monólogos.
Dialogávamos em rimas e risos.
D. Virgínia. Benjamim.
Rodolfo. Ludugero.
Veros anfitriões.
Sangrias. Doces. Licor de rosa.
Distinção. Agrado.
O Passado...
Homens sem pressa,
talvez cansados,
descem com leva
madeirões pesados,
lavrados por escravos
em rudes simetrias,
do tempo das acutas.
Inclemência.
Caem pedaços na calçada.
Passantes cautelosos
desviam-se com prudência.
Que importa a eles o sobrado?
Gente que passa indiferente,
olha de longe,
na dobra das esquinas,
as traves que despencam.
Que vale para eles o sobrado?
Quem vê nas velhas sacadas
de ferro forjado
as sombras debruçadas?
Quem é que está ouvindo
o clamor, o adeus, o chamado?...
Que importa a marca dos retratos na parede?
Que importam as salas destelhadas,
e o pudor das alcovas devassadas...
Que importam?
E vão fugindo do sobrado,
aos poucos,
os quadros do passado.
CORA CORALINA
http://usuarios.cultura.com.br/migliari/
Editorial
CFN fortalece atuação do nutricionista
e aposta em futuras perspectivas
Mesmo sabendo tratar-se de uma divisão cronológica de tempo, o final de ano chega sempre associado a retrospectivas, balanços e reflexões.
Avaliarmos esse período no Conselho Federal de Nutricionistas, traz-nos a certeza de que caminhamos bem e fazemos questão de compartilhar com todos, um pouco do que foi a nossa trilha.
Ainda no final do ano de 2000, nos voltamos para a mobilização dos nutricionistas participantes da 11ª Conferência Nacional de Saúde, através de reuniões preparatórias, para definir propostas gerais e específicas dos nutricionistas relacionadas ao SUS, especialmente na área básica da saúde. Naquela ocasião foi apresentado aos nutricionistas pela Coordenadora da Àrea Técnica de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Dra. Denise Coitinho, o embrião do hoje vigente, Programa Bolsa Alimentação (PBA). Participamos ativamente, através da CIAN (Comissão Intersetorial de Alimentação e Nutrição) do Ministério da Saúde, das discussões do PBA, cuja portaria publicada em setembro/2001, prevê como condição de adesão a existência de um responsável técnico pelo programa, dando preferência ao nutricionista. Cabe-nos a vigilância na implementação desse programa, assegurando que ele seja um programa de renda mínima voltado para a alimentação e nutrição.
Em janeiro de 2001, o mundo volta-se para o Brasil, especialmente para a cidade de Porto Alegre, onde ocorre o Fórum Social Mundial. Lá estivemos na oficina sobre Segurança Alimentar, garantindo que a abordagem sobre o aspecto nutricional e a qualidade do alimento seja contemplada em discussões próprias e afins sobre segurança alimentar.
Ainda em março, estivemos na primeira consulta pública, lançada pela ANVISA, sobre a nova rotulagem nutricional dos alimentos, na qual opinamos de forma favorável, pelo entendimento da mesma servir como importante ferramenta de trabalho para os profissionais na sua prática diária.
O XVI Congresso Brasileiro de Alimentação e Nutrição, em abril de 2001, contou com representantes do Sistema CFN/CRN, que de forma organizada e estratégica se fizeram presentes em oficinas de discussão sobre temas de relevante interesse para inserção e atuação do nutricionista. O Sistema dispôs ainda de stand, que serviu como elo entre os nutricionistas e suas entidades representativas, na medida em que constituiu excelente ocasião para troca de informações e materiais.
Consolidando as relações com o MERCOSUL, estivemos presentes no IX CONUMER analisando as condições para o trânsito dos nutricionistas entre os países membros.
Consolidamos nossos contatos com os subgrupos do MERCOSUL no Brasil, nos Ministérios da Saúde, da Indústria e Comércio, e temos o aceno do subgrupo da Saúde de que a nutrição será a próxima profissão a ser oficialmente estudada pelos Países, devido ao grande volume de material já produzido.
Cientes dos novos desafios que a abertura acelerada de cursos superiores de nutrição impõe aos Conselhos de fiscalização profissional, promovemos o I Seminário Nacional de Ensino, que nos deu a exata dimensão do nosso comprometimento com essa área, que exigirá a adoção de um novo paradigma de atuação para fazer frente à necessidade de se garantir à sociedade profissionais habilitados e qualificados. Ainda nesse aspecto, o CFN participou ativamente junto ao Conselho Nacional de Educação, da elaboração das diretrizes curriculares, publicadas no DOU no dia 07/11/2001. Estivemos na linha de frente da elaboração do “manifesto” dos nutricionistas participantes do Fórum de Soberania Alimentar, ocorrido em Cuba, de 4 a 7 de setembro de 2001. Importante evento este que nos convida para avaliar as formas de domínio na produção de alimentos em todo o mundo e a premente necessidade, mais uma vez, do fator nutricional ser considerado como importante aspecto na cadeia alimentar.
Voltando para nossa integração interna realizamos o III ETIFISC, evento já historicamente reconhecido como propiciador do desenvolvimento das áreas de ética e fiscalização do Sistema (matéria página 9).
Em novembro realizamos o Seminário de Planejamento Estratégico Situacional, o qual consideramos um excelente instrumento para a implementação do nosso plano de gestão (ver matéria página 4).
Ainda em novembro, um pouco antes de fecharmos esta edição, ocorreu em São Paulo a reunião da CONESP (Comissão Nacional para Título de Especialistas) com o objetivo de organizar o lançamento da concessão de títulos iniciando nos CRN (matéria página 5).
Podemos ainda destacar o mês de novembro de 2001, como um grande marco nas relações entre os Conselhos Federal e Regionais e a Federação Nacional e Sindicatos de Nutricionistas, demonstrando a vontade política na promoção da integração entre essas entidades.
Os Conselhos Federal e Regionais, a FNN e Sindicatos de Nutricionistas estiveram reunidos para a discussão dos valores das anuidades dos Conselhos e as formas de parcerias entre as entidades.
Outras frentes foram também ocupadas, que pelo fato de não estarem aqui citadas não perdem seu mérito de relevância (matéria página 4). Não podemos, em nenhum momento, desatrelar a nossa realidade da conjuntura do País, em especial nas áreas de saúde e educação. Se nos concentramos no relato de nossas ações, foi no intuito de despertamos em cada leitor o compromisso com o fortalecimento e idealização dos nossos projetos. Dessa forma, com certeza, estaremos mais afinados e fortalecidos para os muitos finais de ano que ainda virão.
E que em 2002 celebremos a vida com muita paz e solidariedade na busca da justiça social